Quando um grupo de homens se
reuniu para decidir o destino do povo, não tinham um programa
de governo definido. O que os unia era a luta contra a opressão, a
busca da cidadania negada pela aristocracia e o direito de resolver
por conta própria. Enfim, de não ser comandado, mas de comandarem.
Não podiam aceitar leis que não tinham discutido, urdidas por
interesses que atingiam os homens de bem e que trabalhavam arduamente
para pagar os impostos. Tinham o sonho de lutar pela felicidade. Quem
poderia negar o direito de alguém sonhar com uma sociedade mais
justa, humana e libertária?
Os ingleses da Inglaterra não queriam
nem permitiam que os ingleses das 13 Colônias tivessem as mesmas
atribuições políticas que tinham obtido desde a Revolução
Gloriosa, no final do século 17. Essa história de debater os
projetos antes de transformá-los em lei era exclusiva dos cidadãos
que habitavam a Metrópole. Não se estendia para os colonos da
América do Norte. Estes, quando se conscientizaram que as conquistas
políticas da Metrópole não os beneficiariam, resolveram se
separar. Juntar as colônias e fundar um país. Os founder
fathers não tinham um
programa de governo pronto. Nem mesmo de um país. Mas sabiam o
que queriam e um deles, Jefferson, resumiu de forma brilhante esse
sonho da Declaração da Independência das Treze Colônias.
O primeiro programa de governo se
consolidaria com a constituição, alguns anos depois. Mas os pais
fundadores eram homens probos. Honestos. Éticos. Comprometidos com o
ideal de fundar um país que abrigasse uma sociedade em transformação
rápida, porém sem corrução, conchavos, privilégios e uma
aristocracia dominante. Tiveram o cuidado de não criar um sistema
viciado, dominante, sujo e que se reproduziria para sempre. As
estruturas fora concebidas abertas para arejar a política e – como
disse muito tempo depois o juiz Louis Brandeis – o melhor
detergente ainda é a luz do Sol.
Fica claro que não adianta mudar os
homens se o sistema não muda. Como se diz por aí, mudam apenas as
moscas. No nosso país, o sistema político está armado para que
tudo mude para ficar tudo do mesmo jeito. Para encantar o povo,
abre-se brecha para o populismo, para o salvador da pátria, que
depois de eleito vai ter de compor com os guardiões dos privilégios
e desigualdades. Dominam um sistema que é republicano apenas no
nome, uma vez que as pessoas não são iguais perante a lei. O
“primeiro andar” impede que a mudança suba as escadas, ou chegue
de elevador. A sociedade brasileira – pode parecer um exagero –
tem algumas caraterísticas da sociedade de castas. A origem, as
corporações, os privilégios, a plutocracia e outros elementos
estruturais querem mandar para sempre. Mesmo com as eleições que
ocorrem a cada dois anos.
Mas há esperança no ar. O século 21
é o tempo da disrupção e uma delas é o advento das mídias
sociais, manipuladas com maestria pelos jovens. Estes têm acesso à
informação e formação e são senhores de um instrumento de
emissão de ideias nunca visto. Uma vez engajados, esclarecidos,
organizados, podem se transformar nos founder
children da democracia
brasileira.
CRÉDITO
DA IMAGEM: DIVULGAÇÃO RECORD NEWS







0 comentários:
Postar um comentário